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15 de jul de 2013

Você quer vingança ou justiça?



A justiça tem que ser perfeita. A vingança não é perfeita, então não é justa. Vingança pode até ser um prato que se come frio, mas desce rasgando e a indigestão é certa. Seja justo, não vingativo. 



Já havia tocado nesse assunto no meu artigo "Redução da Maioridade Penal e a capacitação de criminosos", informando que a redução da maioridade penal atende unicamente ao desejo de vingança, e não de justiça. É clara a importância da filosofia em muitos contextos. Se você ler o artigo "Auto Ajuda?", no blog Aventureiro Urbano, do blogueiro César de Oliveira, é bem explicado porque ela é tão importante. 

Vou procurar resumir o que eu li no livro de Platão, chamado "A república". Há uma visão deturpada do que seja justiça, confundida com vingança. A definição equivocada é que deve ser dado a alguém o que lhe é devido. Também que deve-se fazer o bem com quem lhe faz o bem, e o mal com quem lhe faz o mal. 

A justiça tem que ser perfeita

Isso mesmo, não pode ter falha. Se houve erro em fazer justiça, ela não foi feita. Foi uma injustiça. Se você for apoiar uma lei sem ter um debate, refletir e questioná-la, pode acabar gerando efeito contrário. 

A vingança não é perfeita, é falha. Então não se trata de justiça. 

Você vê a capa das pessoas. Dificilmente conhece o íntimo delas e impossivelmente pode escanear todo o cérebro dela e saber de todos os detalhes. Então quem você acha que é bom e amigo, pode ser um inimigo, alguém ruim. Quem acha que é inocente, pode ser culpado. Sem o uso da razão, somente da emoção, você usa-se de vingança por achar que alguém te fez um mal, sem analisar os detalhes e descobrir a verdade. Acaba então condenando o inocente e deixando o culpado impune. 

Se você faz bem a quem lhe faz bem, ela melhora. Se você faz mal a quem lhe faz mal, ela piora, e a situação se agrava. 

Cada um deve ter seus erros corrigidos. Analise um garoto que mora na favela, não tem acesso correto a educação, segurança, saúde ou cultura. A polícia é sua inimiga, ele está na margem da sociedade (é um marginalizado, ou como chamam: marginal). Seu herói é o traficante que manda na comunidade. Não tem, nem mesmo, assistência dos pais e precisa catar latinha para conseguir comer. 

Assaltar, entrar para o tráfico de drogas, fazer serviços aos "donos da favela" parece ser a opção mais rápida para se ganhar dinheiro. É a única forma de acolhimento dele. Ele vira um monstro. Se você prende o monstro, coloca ele em situações humilhantes dentro da cadeia, e depois solta, você alimenta o monstro. 

Mas se você apresenta a ele tudo que lhe faltou, dá uma escolha, uma oportunidade, ele pode ser corrigido. É justo que ele faça o bem a quem fez o mal, em forma de reparação. É injusto que façam o mal porque ele fez o mal, porque ele piora e faz pior ainda depois. 

A justiça se resume em fazer o bem, tanto a quem lhe faz o bem, quanto a quem não lhe faz nada, quanto a quem lhe fez o mal. No primeiro caso você a melhora, no segundo, dá a ela uma oportunidade de lhe fazer o bem ou fazer a outrem, e no terceiro você corrige. 

Vingança pode até ser um prato que se come frio, mas desce rasgando e a indigestão é certa. Seja justo, não vingativo.