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9 de jan de 2012

Religião na mediação grevista: auxílio ou incoerência?

Bispo de Limoeiro do Norte - Emanuel Edmilson
Pode a religião ser uma auxiliadora política, ou melhor, mediadora? Seria correto um líder religioso (de uma só religião) participar de negociações junto a governador?  O Estado deve assumir sua posição de não adotar nenhuma religião. Chamar um líder católico, em detrimento aos diversos líderes de outras religiões, é abrir mão de sua laicidade. 




Quando houve a greve da polícia militar aqui em Fortaleza/CE, na negociação final compareceu o bispo auxiliar da arquidiocese de Fortaleza, Dom José Luiz. Agora, na greve dos policiais civis, o bispo de Limoeiro do Norte, dom Emanuel Edmilson - que foi um dos interlocutores na greve da militar - prometeu falar com o arcebispo e, dependendo do que ele dissesse, tentaria falar com o Governador. 

Esse pedido de mediação deixa claro que os policiais são, em sua maioria, católicos, e/ou acreditam que o governador seja católico e será sensibilizado com essa intermediação. Será que resolve mesmo? Não estaria, ao acatar o pedido, a religião confundindo as coisas, envolvendo religião no meio político?

Não acredito que a religião seja determinante ou que contribua em algo que envolva política, até porque o Estado estaria assumindo uma posição católica ao chamar uma autoridade católica para a intermediação, em detrimento a líderes de outras religiões. 

Uma coisa é mediar de fora, encontrando os grevistas por pedido deles. Outra é mediar junto ao governo, comparecer as negociações. É preciso que os líderes católicos saibam assumir uma postura de divisão, entre religião e política, dentro dos limites de cada um. Os dogmas e crenças religiosas não podem entrar em conflito com a lei e política. 

Alguém discorda? Então exerça seu direito de liberdade de expressão e vamos debater.