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4 de jun de 2013

Cotas raciais ou cotas racistas?



Esse já é um debate de muito tempo, e veio a tona novamente quando o STF decidiu pela constitucionalidade da reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais e até hoje há uma polêmica em torno desse assunto. O que tem a intenção de acabar com o preconceito, pode acabar cultivando-o. 


Confesso, o título foi um tanto "impactante", mas isso serve para chamar a atenção dos dois lados para o debate. Particularmente sou a favor das cotas sociais, mas não das raciais, e vou aqui tentar desmitificar aqui alguns pontos que os dois lados apresentam contra ou a favor das tais.

Como ponto de partida, vamos listar os principais pontos de quem é a favor;

  • O Brasil tem uma dívida histórica com os negros;
  • Não existe falta de capacidade, e sim de oportunidade;
  • Cota racial não é uma solução definitiva, e sim um remédio provisório.
E quem é contra, o que defende?
  • Cota é o maior exemplo de racismo;
  • Concordar com as cotas é assinar um atestado de incompetência;
  • O melhor remédio provisório é a cota social.
Dívida histórica com os negros

Principal argumento de quem defende, muitas vezes não é compreendido por quem é contra. De fato o Brasil tem uma dívida histórica com os negros. Escravidão, cotas em universidades que excluíram negros, discriminações, etc. O resultado disso é a exclusão dele da sociedade em função do que já passou: apesar de termos 51% da população negra, cerca de 66% das favelas brasileiras são chefiadas por negros.

É difícil vermos um negro numa posição de chefia em uma empresa, sendo um líder, mas é comum até demais encontrá-lo na favela, marginalizado. Então o que passam hoje é consequência do passado.

Mas... o Brasil tem uma dívida histórica e atual com os pobres, independente da cor da sua pele. O principal problema do negro hoje é sua marginalização, mas isso atinge todos os pobres. A cota social simplesmente ergueria pobres e negros marginalizados. 

Atestado de incompetência? 

Já um dos principais argumentos de quem é contra, é chamar as cotas raciais de afro-coitadismo. Os negros não disputam em pé de igualdade com os "brancos" porque não tem a mesma capacidade. Alega-se também que todos são iguais perante a Constituição Federal e que todos tem o mesmo direito e condição de fazer a prova do vestibular. Isso, inclusive, faz com o que o ensino na universidade pública tenha sua qualidade reduzida, pois pessoas não preparadas vão atrasar alunos que estão preparados. Será isso mesmo?

De forma alguma. O que falta é oportunidade. Temos padrão de ensino infantil, fundamental e médio de baixa qualidade e pouco incentivo na cultura, esporte e lazer, motor de arranque na educação.

E como não baixar o nível do ensino nas universidades? Simples. Estabeleça uma nota de corte para todos, independente de cota, e após isso, quando só restar concorrência, aplicam-se as cotas. Teremos cotistas qualificados nas universidades. Mas, mais uma vez, concordo com isso nas cotas sociais, e não nas raciais.

Remédio provisório?

Dificilmente vai ser. Cotas tem um caráter altamente eleitoreiro, um custo baixíssimo (custa a vaga que você vai perder por não ser negro, ou no caso das sociais, por não ser pobre), e prioridades serão deixadas de lado, como uma educação que preste para todos. Isso fica no esquecimento tanto do governo quanto dos militantes.

Cotas raciais ou cotas racistas?

Chegamos ao título da postagem. Porque racista, se ela visa acaba com o preconceito racial?  Quando se favorece uma etnia, exclui-se as outras. Pessoas com as mesmas condições financeiras, que trabalhem igualdade, que são marginalizadas da mesma forma, terão tratamento diferenciado por conta da cor da sua pele, que não define inteligência ou capacidade de ninguém. 

E quem é negro rico? E o branco pobre? Haverá um conflito de tratamentos. E os filhos de negros que nascem brancos, como albinos? No link que acabei de citar, temos na foto 3 filhos brancos e 2 negros, como fica a situação deles?

Falta investimento na educação?


Somos todos miscigenados.

Tratando-se de brasileiro, difícil achar um negro ou branco. Há muita miscigenação. Traçar etnia no olhar nesse caso é errôneo, e ao mesmo tempo muito difícil hoje em dia não fazê-lo hoje em dia. Prova disso é que hoje a miscigenação não gera democracia racial. Porque continua agravando o problema apoiando cotas que fazem justamente isso? Ela não combate o racismo então, o cultiva.